SOCRAM

por Bernardo Sancho
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Artigo inspirado em pequenos textos que circulam pela internet. Seu único intuito é entreter o leitor, se o mesmo permitir tal feito.

A luz do sol raiava por entre as cortinas, às 21:00 horas em ponto. Marcos levantava da cama, e, ao descer do teto, partiu em direção à cozinha, a gatinhar sobre seus dois pés pelo longo caminho de cinco metros. Sua mãe penteava os pelos da barba, e seu pai preenchia os lábios de cor enquanto observava o desregrado trajeto de um caracol que só andava em linha reta. Ao chegar na cozinha sua mãe chamou-o “João, pegue o sumo de batata que está no forno”. Aproveitando para colocar um cachecol em volta de suas orelhas, agarrou o jarro de sumo com seus pés e pousou-o de baixo da mesa. A família, que não era de sangue, foi muito rápida a comer, demorando apenas três horas. Os três integrantes do quarteto adoraram o pequeno almoço, e, às 10:00 da manhã, após um curto período de descanso, Marcos saía para o trabalho.

Levava em suas mãos sapatos de luxo da marca mais barata de seu bairro (para os quais poupou por imensas duas horas para os poder comprar), nos pés calçava luvas, e, na parte posterior da coxa, levava consigo um Rolex de última geração. Ao sair de casa, quase se esqueceu de sua lanterna de mão (sem a qual não conseguiria enxergar) e pousou-a nos longos cabelos de sua cabeça raspada.

Após um longo dia de trabalho, Marcos retornava a casa às 10:02. Mas antes de subir os trezentos e trinta degraus do elevador de sua casa de papelão, escutou um gato latir para uma gaivota que miava agressivamente na direção de um ateu que dizia ter visto Jeová. Estranhou a cena por aproximadamente um ano e sentiu cair, em sua cabeça, um amuleto da paz que havia se soltado das patas da gaivota, enquanto a mesma voava rente ao chão. Ao chegar em casa respirou fundo, e ao deitar em sua cadeira, percebeu que não conseguia pensar em nada além de Joana, o rapaz pelo qual estava apaixonado. Marcos então fritou uma baguete e escreveu a teoria da relatividade.

                                                                                      32/13/, mil novecentos e trinta e onze.

Abraços, Roberto.


NOTA: Foto de Tim Stief on Unsplash

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